terça-feira, 3 de maio de 2016

Estas colheres são comestíveis





Todos os anos, na Índia, 120 mil milhões de talheres de plástico descartáveis vão para o lixo. Os componentes altamente poluentes do plástico ficam nos aterros e não se decompõem, continuando a poluir. A pensar neste problema ambiental, uma empresa indiana desenvolveu uma colher biodegradável e comestível. A Bakeys foi fundada em 2011 em Hyderabad e, desde então, já vendeu 1.5 milhões de “colheres nutritivas” por ano.

Sem glúten, produtos lácteos ou conservantes, as colheres são feitas com três tipo de farinhas (arroz, trigo e sorgo — uma espécie de milho) orgânicas e podem ser consumidas por quem pratica uma dieta vegan. O prazo de validade do produto pode chegar até aos três anos — e isto sem perder a textura crocante que impede a colher de se desfazer quando em contacto com alimentos ou bebidas quentes.

Parece feita de madeira mas é, na verdade, uma espécie de biscoito nutritivo que pode acompanhar café, chá, iogurte, sopa e outros pratos quentes, como caril. Para já estão disponíveis oito variedades: açucarada, com canela e gengibre, com alho e gengibre, cominhos, aipo, pimenta preta, hortelã-pimenta e cenoura e beterraba.

Nos últimos anos foram surgindo várias alternativas aos tradicionais talheres de plástico descartáveis. Os utensílios feitos à base de milho e biodegradáveis são uma dessas alternativas amigas do ambiente mas, como sublinha Sarah Munir na descrição do projecto no Kickstarter, necessitam de elevadas temperaturas e condições específicas para se decomporem devidamente.

“As nossas colheres são deliciosas mas, se não forem consumidas, são capazes de se degradarem em qualquer ambiente exterior, uma vez que não têm requisitos específicos”, assegura a mesma jovem. Dez dias é quanto uma colher precisa para se degradar na natureza, por exemplo.

A energia usada para produzir 100 colheres à base de sorgo é a equivalente à necessária para produzir apenas uma de plástico. A empresa, cuja unidade de produção se situa na Índia, tem já preparados moldes para outros talheres, como pauzinhos, colheres de sobremesa e garfos. Nos planos, diz Sarah Munir, está a expansão do negócio dos utensílios de mesa comestíveis para os copos e pratos. Os mercados da “fast-food” e da comida de rua são os alvos deste tipo de utensílios.

Por forma aumentar a produção e adquirir novos moldes sem aumentar o preço final, a empresa lançou uma campanha de “crowdfunding” na plataforma Kickstarter. A 19 dias do final da campanha, a Bakeys já angariou 103.00 dólares (cerca de 91.940 euros), cinco vezes mais do que o valor inicialmente pedido (20.000 dólares, ou 17.855 euros). As contribuições mínimas podem ser de um dólar (0,89 euros) e com dez dólares (8.9 euros) é possível comprar cem colheres comestíveis.

Fonte: Publico

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